Brighton, delírios e chão que treme

Lupita
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O trânsito caótico nos fez rodar por quase uma hora até desistirmos e estacionarmos longe do local do show. Exaustos, quase sem comer o dia todo, fomos em busca desesperada por comida.

A cidade estava em festa. Muita, muita gente. Num farol, um grupo enorme passou dançando e comemorando — mas não havia música nenhuma. Quer dizer, havia sim, mas apenas para eles. Todos usavam os mesmos fones de ouvido, e isso fazia daquela turba algo muito esquisito: dançavam e gritavam apenas para si.

Em frente a um hotel, dentro de um cercado que tomava parte da calçada, um karaokê acontecia. Uma moça super maquiada cantava “Oi to the World” dos Vandals, enquanto pessoas de meia-idade pulavam e gritavam a música de forma histérica e feliz.

A cidade estava cheia de fantasias. Vimos uma garota vestida de Leprechaun e outras com roupas típicas de personagens gregos. Na porta de um restaurante, um grupo de meninas com faixas de Miss; uma delas segurava um enorme pênis inflável rosa, com uma faixa enrolada na glande como se fosse uma gravata.

Que lugar era esse? Achamos que delirávamos de fome.

Um punk grego que trabalhava no Pipeline, com um sotaque fortíssimo, nos alertou: “Drive always very, very slow. People here are all crazy.” E percebemos que ele tinha razão.

O vento parecia um furacão. Eu, de roupa de bailarina e maquiagem de drag da sarjeta, segurava os cabelos esvoaçantes, quase me fundindo à cidade. Ao passar por um senhor, andando ao lado do Marcelo, ouvi: “You make a beautiful couple.”

Brighton seguiu nessa toada até o show. Encontramos o Spike, que havia marcado nossa apresentação, e ficamos conversando até a hora de subir ao palco. E quando tocamos… o chão do segundo andar tremia com as pessoas pulando. Fez o piso tremer, e fez também o nosso coração.

Obrigada, Brighton. ❤️


Brighton, delirium and trembling floors

Traffic chaos kept us driving in circles for almost an hour until we gave up and parked far from the venue. Exhausted, almost without eating all day, we went desperately looking for food.

The city was in full celebration. Crowds everywhere. At a traffic light, a massive group passed by dancing and partying — but there was no music. Well, not for us. They all wore the same headphones, turning that mob into something bizarre: dancing and screaming only for themselves.

In front of a hotel, on a sidewalk stage, a karaoke session was going on. A heavily made-up woman was singing “Oi to the World” by The Vandals, while a bunch of middle-aged folks were jumping and shouting the lyrics with hysterical joy.

Brighton was packed with people in costumes. We saw a girl dressed as a Leprechaun, others in ancient Greek outfits. At a restaurant entrance, some girls wore Miss sashes, and one held a huge pink inflatable penis, wrapped with a sash around the glans like a tie.

What kind of place was this? Hunger made it feel almost like a fever dream.

A Greek punk working at the Pipeline, with the thickest accent we’d heard on the trip, warned us: “Drive always very, very slow. People here are all crazy.” He wasn’t wrong.

The wind blew like a hurricane. Dressed as a ballerina with gutter-drag makeup, I held my flying hair, blending into the city. Passing by a man while walking next to Marcelo, I heard: “You make a beautiful couple.”

That was Brighton until the gig. We met Spike, who had booked our show, and waited until it was time to play. And when we did… the second-floor floor literally shook with the crowd jumping. The ground trembled — and so did our hearts.

Thank you, Brighton. ❤️

Lupita