Whitchurch: Percy's Café, cantadas e um quase filme de terror

Lupita
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Nossa chegada a Whitchurch foi nada menos que triunfal. O pessoal do bar esperava pela gente na rua. Rolaram cumprimentos acalorados — éramos muito esperades por lá. Entendi quando vi o bar, o Percy's Café: numa miscelânea pop havia muitas, mas muitas referências a pessoas trans (e algumas outras bem safadinhas). Eles inclusive recebem muitas bandas do Brasil. Estávamos em casa. Aliás, acho que fui injusta ao considerar toda a Inglaterra como trans-ignorante. Pelo menos nos lugares em que tocamos sempre há, em menor ou maior grau, referências e iniciativas em defesa das pessoas trans. Thanx, guys.

Foi nosso primeiro show em que a plateia não era majoritariamente feminina — o que seria bem incomum inclusive no Brasa. De resto, como outros dessa tour, um lugar muito lindo e charmoso (e com uma plateia bem tarada).

Após a apresentação, a cantada: o cara insistia para eu sentar na mesa com ele. Sentei. Ele começou com um papo bem genérico e aleatório e, no meio das frases, lambia a beirada do copo olhando fixamente nos meus olhos. Na primeira vez fui pega de surpresa; na segunda, achei apenas estranho; na terceira, levantei um “C’mon!” e deixei ele lá lambendo o copo.

Já recebi xavecos mais elegantes por aqui.

— Quer ir lá em casa ver minha coleção de discos?

Não fui. Mas foi bonitinho o convite. Ao menos, dos mais baixos aos mais respeitosos, tudo prova que essa trans MILF aqui não tá morta.

Tudo amaciamento de ego, obviamente, porque minha Baby Lux me espera lindamente, com seu jeito meigo e toda a sua beleza incomparável — e eu não penso em outra coisa além de cair no seu abraço gostoso. O melhor lugar do mundo.

Eu queria ter feito umas cenas na casa em que ficamos, inclusive com uma temática de terror que cairia tão bem ali. Mas foi tão corrido que lá se foi minha efêmera carreira de novíssima James Wan.

Bruno está obcecado com um documentário sobre a tour. Sim, eu sei: ele tem várias obsessões, mas a mais atual é essa. Vivemos levando bronca por usar o celular na vertical para gravar vídeos. Fiz um, inclusive, apresentando o lugar onde iríamos tocar — e parou uma plateia para assistir à minha performance de âncora de telejornal.

Lupita