Não sei o que acontece, mas os GPS dos celulares — pelo menos os nossos — não funcionam direito. Toda hora nos perdemos, e isso multiplica as caminhadas até a exaustão. Outro dia, voltando de um show, achávamos que estávamos indo pra casa… mas descemos 5 km longe da nossa morada atual. Sem forças, atravessamos essa distância carregando instrumentos no vento gelado que cortava os ossos.
Falando em instrumentos: todo mundo esqueceu as bags das guitarras e bateria no Brasil. Improvisamos algumas com papelão e fita adesiva. Balenciaga style, baby! Felizmente, amigos brasileiros de bandas locais emprestaram seus bags para ajudar.
Numa das viagens de ônibus, um sujeito entrou e começou a assediar uma moça que estava sozinha. Outra passageira inglesa percebeu, trocou um olhar firme conosco, e logo se aproximou: “Você está bem? Você está segura aqui. Qualquer coisa estamos aqui…”. O cara, sem graça, parou e desceu no próximo ponto. Situações assim acontecem bastante por aqui.
Outro episódio: estávamos atravessando a rua quando uma van de entregas parou no farol. De repente, os caras dentro começaram a buzinar e acenar pra mim. Me senti a Barbie naquela cena em que ela chega ao mundo real.
No dia de folga, fomos ao Museu de Londres. Sério, o que ainda sobrou no Egito? Parece que só não trouxeram as pirâmides porque eram pesadas demais. Chegamos tarde e só deu tempo de ver as múmias, antes de sermos engolidos por uma multidão de turistas. Na parte turística, tudo é muito caro: uma garrafinha d’água sai por 2 libras — uns 12 reais numa conta preguiçosa.
Depois, passamos pelo Piccadilly Circus. Lembrei de Um Lobisomem Americano em Londres, que tem sua cena final ali. Eu sempre chorava naquela parte. O David parecia um cara tão legal.
Também havia uma parada em protesto pelo #FreePalestina. Apoio totalmente a causa palestina, mas algo me chamou a atenção: homens carregando adornos pesados e marchando à frente, enquanto as mulheres — todas cobertas — vinham mais atrás. Livre… mas nem tão livre assim. Depende de quem você é.
I don’t know why, but our phone GPS — at least ours — doesn’t work properly. We get lost all the time, which turns every walk into pure exhaustion. The other night, after a gig, we thought we were heading home… but ended up 5 km away. With no strength left, we carried our instruments through a freezing wind that cut straight to the bone.
Speaking of instruments: everyone forgot their gig bags back in Brazil. We improvised with cardboard and duct tape. Balenciaga style, baby! Luckily, Brazilian friends from local bands lent us their bags.
On one late-night bus ride, a creepy guy started harassing a woman sitting alone. Another English passenger noticed, exchanged a firm glance with us, and stepped in: “Are you okay? You’re safe here. We’re here if you need anything.” Embarrassed, the guy stopped and got off at the next stop. Sadly, situations like this happen a lot around here.
Another time, we were crossing the street when a delivery van stopped at the light. Suddenly, the guys inside started honking and waving at me. I felt like Barbie in that scene where she arrives in the real world.
On our day off, we visited the Museum of London. Seriously, what’s left in Egypt? Seems like they only left the pyramids because they were too heavy to move. We arrived late, so we only managed to see the mummies before being swallowed by a flood of tourists. Everything in the tourist areas is super expensive: a small bottle of water costs £2 — about 12 reais.
Later, we went to Piccadilly Circus. It reminded me of An American Werewolf in London, which ends there. I always cried at that scene. David seemed like such a good guy.
There was also a #FreePalestine protest happening. Of course, I support Palestine. But what struck me was how the men marched in front, carrying heavy ornaments, while the women — all covered — came behind. Free, but not equally free. It depends on who you are.